ratodebiblioteca
Quarta-feira, Abril 20, 2011
Do outro lado do Hades...
"Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá-me um barco. A casa do rei tinha muitas mais portas, mas aquela era a das petições."
Saramago faz-nos sempre pensar, pelo menos a mim fá-lo sempre, mais que não seja, pelo facto de nos questionar-mos como a nós não nos ocorreu semelhante coisa?
A Ilha Desconhecida aconteceu-me numa ida à Fnac. como sempre, circulo por entre estantes e livros dispostos em mesas, como se planasse sobre nuvens, até que por fim me deixo tocar por uma capa, por uma letra, por um nome qualquer. Folheio, leio o resumo e o título e por vezes deixo-me levar com o livro para casa...
Tal como a Ilha, também eu parto em busca do desconhecido e tal como ela, sinto sempre que já encontrei o que procurava.
Quinta-feira, Outubro 21, 2010
Come Reza Ama
![]() |
| (tirado da net) |
Por vezes pedimos que algo nos aconteça, algo que queremos muito, que alguém, sem sabermos muito bem quem ou quando o faça acontecer...
Tudo o que pedimos é que algo aconteça um dia, para sairmos do marasmo, da infelicidade, da letargia ou pura simplesmente dos apuros.
Por isso oramos, por isso comemos mas muito raramente amamos...
Não falo em amar um homem ou uma mulher. Não falo em amar um filho ou um pai. Não falo em amar um Deus ou uma religião ou mesmo a Humanidade.
Do que eu falo, a meu ver e pela minha experiência, é do amor a nós próprios. O sentido que damos à nossa existência, o projecto que temos para a nossa vida presente e o desejo que esse presente que todos os dias recebemos de acordar para mais um dia se repita por muitos e bons anos.
Se pensarmos bem, comprar um bilhete para o resto da nossa vida é o passo mais difícil que cada um de nós dá. Deixar que decidam por nós é fácil, é seguro e confortável.
Mas dar um passo e comprar um bilhete é como saltar de um precipício e apostar na inconstante invisibilidade do futuro...
Por isso sento-me... fecho os olhos e aguardo...
Nada está do lado de lá... não, nada...
Não peço... não oro... olho-me por dentro e deixo-me apaixonar por... mim...
A inspiração virá... A voz acabará por vir ter comigo, quando lhe abrir as portas para o coração...
A voz... a minha voz... e então serei finalmente eu...
O meu bilhete para o meu futuro foi comprado hoje e a viagem não terminará jamais...
dentadas:
abaixo da superfície,
filosofia,
livros
| Reactions: |
Fénix...
![]() |
| (Tirado da internet) |
A cada recomeço deve dar-se novas roupagens, como uma reencarnação equivale a um novo corpo.
estou de volta, não sei por quanto tempo, não sei com que inspiração, mas regresso... saída de um mar de cinzas, renascida, redescoberta e com muita vontade de me diluir em palavras...
Até já...
Segunda-feira, Junho 21, 2010
As intermitências de uma vida...
Por vezes temos de parar e sentir a vida passar-nos por entre os dedos... apenas isso, parar e sentir...
Por vezes a vida mostra-nos que a morte não passa de uma passagem para outra margem...
Não, não estou a tentar recordar a célebre música dos JáFumega. estou simplesmente a recordar-nos a todos que a morte pode muito bem ser uma viagem na barcaça que nos leva pelo reino de Hades, a revelar-nos tudo aquilo que poderíamos ter feito em vida e... que não chegámos a fazer...
O que dirá Saramago nesta sua viagem pela barcaça? O que dirá ele ao barqueiro nesta sua chegada à margem do rio que o levará até ao outro lado, aquele lado onde as almas se concentram à espera de uma nova descida à Terra?
Se a minha imaginação não me trair, ele estará neste momento a trocar com o barqueiro duas palavras acerca de como a palavra nos pode guiar por tantos caminhos diferentes que é preciso inventá-las de novo, com novos significados e com novos caminhos!
Se dependesse de mim, neste momento, na barcaça pelo rio do Hades, Saramago estará contemplando uma vida que atravessou por tantos diferentes caminhos quantos aqueles que me fez descobrir nas suas palavras...
... Saramago foi quem me fez despertar para uma escrita mais dérmica que epidérmica. Foi ele quem me fez ter uma vontade visceral de me revelar aos outros pelo verbo.O verbo sentido e amado, mais do que pensado. Pegar na língua mãe com carinho e ternura e levá-la ao avesso do verso, carregar-lhe as expressões com fúria e rasgar os sentidos de quem lê para o acordar da monotonia dos dias...
Saramago não é o Nobel da Literatura, Saramago é o homem da palavra reinventada, da escrita difícil e leitura complexa. É o homem que se ama ou odeia de forma visceral.
Posso dizer que amo a sua escrita, a sua exposição de cenas que nos aparecem perante os olhos cruas, reais, como um quadro de Rembrandt, plenas de humanidade. É por isso que amo Saramago o escritor. Mesmo que muitas vezes estivesse em desacordo com o homem.
Saramago já não é, mas na sua viagem pelo Hades, estará olhando duramente a sua vida, examinando os seus caminhos e se me não trair a imaginação, concluindo que a nossa vida é vários rios que afluem e defluem, levando-nos para um oceano que irá sempre dar àquela barcaça.
Mais vale que seja uma vida vivida na consciência de quem tem opiniões válidas, ainda que duras...
Por vezes a vida mostra-nos que a morte não passa de uma passagem para outra margem...
Não, não estou a tentar recordar a célebre música dos JáFumega. estou simplesmente a recordar-nos a todos que a morte pode muito bem ser uma viagem na barcaça que nos leva pelo reino de Hades, a revelar-nos tudo aquilo que poderíamos ter feito em vida e... que não chegámos a fazer...
O que dirá Saramago nesta sua viagem pela barcaça? O que dirá ele ao barqueiro nesta sua chegada à margem do rio que o levará até ao outro lado, aquele lado onde as almas se concentram à espera de uma nova descida à Terra?
Se a minha imaginação não me trair, ele estará neste momento a trocar com o barqueiro duas palavras acerca de como a palavra nos pode guiar por tantos caminhos diferentes que é preciso inventá-las de novo, com novos significados e com novos caminhos!
Se dependesse de mim, neste momento, na barcaça pelo rio do Hades, Saramago estará contemplando uma vida que atravessou por tantos diferentes caminhos quantos aqueles que me fez descobrir nas suas palavras...
... Saramago foi quem me fez despertar para uma escrita mais dérmica que epidérmica. Foi ele quem me fez ter uma vontade visceral de me revelar aos outros pelo verbo.O verbo sentido e amado, mais do que pensado. Pegar na língua mãe com carinho e ternura e levá-la ao avesso do verso, carregar-lhe as expressões com fúria e rasgar os sentidos de quem lê para o acordar da monotonia dos dias...
Saramago não é o Nobel da Literatura, Saramago é o homem da palavra reinventada, da escrita difícil e leitura complexa. É o homem que se ama ou odeia de forma visceral.
Posso dizer que amo a sua escrita, a sua exposição de cenas que nos aparecem perante os olhos cruas, reais, como um quadro de Rembrandt, plenas de humanidade. É por isso que amo Saramago o escritor. Mesmo que muitas vezes estivesse em desacordo com o homem.
Saramago já não é, mas na sua viagem pelo Hades, estará olhando duramente a sua vida, examinando os seus caminhos e se me não trair a imaginação, concluindo que a nossa vida é vários rios que afluem e defluem, levando-nos para um oceano que irá sempre dar àquela barcaça.
Mais vale que seja uma vida vivida na consciência de quem tem opiniões válidas, ainda que duras...
Quinta-feira, Fevereiro 18, 2010
Crónicas do tempo que passa...
Começou como todos os outros.
Nos últimos tempos questionava-se sempre se seria normal aquele fluir...
Recordava-se de ser criança e custar a passar. Um ano era uma eternidade e enquanto passavam, os minutos, as horas, os dias, eram como contas intermináveis, como operações aritméticas que se prolongavam para além do suportável.
Isso era quando ainda não tinha memórias de perdas. Ainda não tinha o sofrimento marcado no seu "disco rígido". Todas as suas preocupações eram simples, embora não o parecessem.
O tempo agora era diferente. Movia-se rapidamente, como um atleta de alta competição, impenetrável, imbatível, superior às suas forças.
Sentia-se impotente e débil. Incapaz de se apoderar dos seus dias, das suas horas e dos seus minutos. até os segundos pareciam fugir-lhe por entre os dedos, como a água que corre...
Este ano tinha começado diferente. Podia senti-lo em cada célula do seu corpo, em cada fibra dos seus músculos, que reverberavam a cada teste que lhe era imposto pelo tempo ditador.
Pensava agora, perante todos os factos que lhe haviam acontecido desde o primeiro dia do novo ano... pensava tristemente, que há momentos que deviam cristalizar-se. Há pessoas que nos merecem isso, que o tempo se esgote por algumas horas, por alguns dias. Que se cristalize e se apague. Há pessoas que merecem que o tempo não passe e não apague o que elas levaram uma vida inteira a conseguir.
Há aquelas pessoas que merecem ficar cristalizadas no tempo. Que merecem uma pausa.
Pensava agora que o tempo não tem respeito por quem ama e é amado. O tempo não respeita a saudade, a solidão, o amor, a ternura, a paixão.
Pensava que se pudesse, tinha tirado uma licença sabática deste ano e só voltaria a viver no ano seguinte...
Quem lhe dera não poder pensar, deixar apenas o tempo passar sem participar nele...
Quem lhe dera...
Quarta-feira, Janeiro 13, 2010
O efeito borboleta...
Há pessoas que nos fazem bem... muito bem.
Que nos elevam a alturas que pensámos ser apenas para os pássaros. Que nos trazem de volta ao solo com carinho e nos fazem imaginar que somos melhores do que realmente somos.
Existe uma teoria que diz que uma pequena variação nas condições em determinado ponto de um sistema dinâmico pode ter consequências de proporções inimagináveis, ou se preferirem, o bater de asas de uma borboleta pode provocar um sismo do outro lado do mundo.
Eu conheço uma borboleta que pode muito bem provocar um cataclismo de proporções inimagináveis para a humanidade, ainda que esse cataclismo seja apenas local e apenas numa pessoa de cada vez.
Essa borboleta de que vos escrevo, já provocou em mim tal efeito e é ela que se desloca agora para um país africano de imensas dificuldades humanitárias, para lá provocar consequências de proporções inimagináveis na vida de quem com ela contactar...
Há pessoas que temos, simplesmente temos, de conhecer durante a nossa vida. Essas pessoas transformam-nos, moldam-nos e fazem-nos revelar o que temos de melhor no mais profundo recanto do nosso ser.
Há pessoas que se entregam com tudo para dar, pedindo muito pouco em troca.
Pessoas que nos olham de frente, com olhar franco e uma luz que jorra por todos os seus poros quando sorriem, quando se movem, quando nos dizem, mais uma vez, que vão partir...
Essas pessoas não vivem nesta dimensão, vivem sempre numa outra que nos é quase inacessível, nesta vida corrida de coisas materiais e trabalho e escola e trânsito e férias e festas e família e obrigações e crises e corrupção e...
A minha borboleta preferida vai partir de novo e vai entregar mais um pouco da sua alma alegre e sorridente a uma aldeia de pessoas que só precisa disso mesmo - um sorriso, uma palavra quente e meiga, alguém que os olhe nos olhos e lhes diga que a fome não é o que existe de pior neste mundo, a pobreza de espírito é que é!
Boa viagem borboleta, levas-me contigo também um pouco...
Sexta-feira, Novembro 20, 2009
20 Anos de direitos das Crianças
Não foi por acaso que coloquei no título crianças com maiúscula, não, não foi.
Afinal, se é certo que dentro de cada um de nós existe uma criança, a verdade é que as crianças reais, aquelas que ainda não cresceram fisicamente, tanto como mentalmente, existem mesmo e... têm direitos!
Se eu há 20 anos soubesse disso, tinha dito à minha mãe, várias vezes, que tinha direitos e ela não podia zangar-se comigo, nem ralhar-me quando me portava mal, nem castigar-me ou bater-me quando fazia asneiras, ou não estudava, ou não comia, ou...
Os meus filhos fazem-me as mesmas queixas e eles nem se lembram que existe algo como uma declaração Universal dos Direitos da Criança. Hoje na escola falarão sobre o assunto e chegarão a casa ao fim do dia cobertos de reivindicações porque afinal sempre têm direitos e não só obrigações...
Eu chegarei a casa munida de uma dose extra de paciência e talvez bastante humor também, para lhes dizer que é bom sabermos os nossos direitos, mas devemos igualmente conhecer bem os nossos deveres. E depois?
Depois retomaremos a vida normal e rotineira, porque a bem dizer, as reivindicações que eu tinha e que eles têm não são de facto reivindicações, pois não? É normal que tenhamos um castigo quando nos portamos mal e também é correcto que a cada direito corresponda um dever...
Depois... mostrar-lhes-ei, com parcimónia e muita tolerância, que há pelo mundo fora crianças que não têm direito a ir à escola, que não têm direito a brincar, que não têm direito a um tecto ou comida e... mais grave ainda, há crianças que não têm direito ao amor e carinho da família.
Para elas foi feita a Declaração Universal há 20 anos, a pensar nelas...
Mas, agora pergunto eu, terá sido mesmo a pensar nelas?
Em 20 anos de Declaração Universal o que mudou de facto?
As crianças mesmo sabendo os seus direitos terão direito a reivindicá-los?
Terão a possibilidade de fazer-se ouvir perante alguém que lhes bate, que lhes retira a dignidade, que se impõe pela força, que ameaça e concretiza, que lhes mostra que só tem direitos quem tem força?
De que adianta a Declaração? A quem adianta a Declaração? Para quem foi pensada?
A minha teoria, louca, é a de que a Declaração vale quando os adultos, os poderosos querem e não tem validade para as crianças...
Estarei errada, mesmo?
Não vou dizê-lo aos meus filhos, mas para já uma ideia saída da boca de duas crianças de 10 e 8 anos - Então e qualquer criança pode dizer que tem direitos a quem quiser? qualquer criança? Mesmo?
Os olhos incrédulos observam cada movimento que faço, cada expressão no meu rosto e como que adivinhando a resposta, um sorriso vai-se desdobrando nos cantos dos lábios...
Conhecem-me bem os meus filhos, conhecem-me mesmo muito bem...
Subscrever:
Mensagens (Atom)




